Segunda-feira, 10 de setembro de 2007 - 18h40
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ALEXANDRE BATTIBUGLI |
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NOKIA: baterias velhas prontas para ir para a reciclagem
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A preservação do meio ambiente ganha espaço nas grandes empresas de TI.
A IBM está mudando de cor. Conhecida há décadas por Big Blue, a gigante quer trocar o azul pelo ecologicamente correto verde. E está pondo dinheiro nisso ? 1 bilhão de dólares por ano na criação de produtos e serviços que ajudem a reduzir o consumo de energia e o impacto ambiental de seus data centers, como o que mantém na paulista Hortolândia, e dos clientes.
A IBM não está sozinha na cruzada ambiental. Outras integrantes do ranking INFO200, como Dell, HP, Unisys, EMC, Nokia e Motorola, entraram para a era verde. Não é à toa. A indústria de tecnologia da informação e comunicação (TIC) é responsável por cerca de 2% das emissões globais de dióxido de carbono (CO2), calcula o instituto Gartner, um percentual muito próximo do da aviação. É também uma das que mais empregam recursos naturais no processo de fabricação ? um PC comum consome pelo menos dez vezes o seu peso em combustíveis fósseis e 1 500 litros de água, segundo a Universidade das Nações Unidas (UNU).
Mas não é só isso. A indústria de TI utiliza substâncias perigosas e não recicláveis durante o ciclo de produção. E com o barateamento das máquinas, as vendas crescem e, em conseqüência, aumenta o consumo de energia elétrica, muitas vezes gerada por fontes não-renováveis.
Apesar do tamanho do problema, ainda são poucas as empresas do setor que tomam atitudes sérias para melhorar processos e produtos. No Brasil, apenas 18 das 200 participantes do ranking INFO200 informaram possuir a certificação ISO 14 000, que atesta a responsabilidade ambiental no desenvolvimento de suas atividades.
O engajamento nas hostes ecologicamente corretas é, no entanto, uma questão de tempo. O barulho feito em torno do tema por ativistas tem levado cada vez mais consumidores a considerar as questões ambientais em suas decisões de compra. Logo, as empresas terão de ir além do superficial. ?Nos próximos cinco anos, as pressões financeiras, ambientais e legislativas forçarão as empresas de TIC a começar a investir pesadamente numa política ambiental?, afirma Simon Mingay, vice-presidente de pesquisas sobre sustentabilidade do Gartner.
Para os fabricantes de hardware, não há outro caminho a não ser produzir itens com material reciclável e que consumam níveis cada vez mais baixos de energia. Quem conseguir um selo Energy Star, criado pela Agência de Proteção ao Meio Ambiente dos Estados Unidos (EPA), tende a conquistar muito mais clientes. Graças aos produtos com o selo, no ano passado, os americanos economizaram 14 bilhões de dólares e deixaram de emitir gases de efeito estufa num volume equivalente ao produzido por 25 milhões de carros.

IBM: projeto para reduzir o consumo de energia no data center
CHIPS VERDES
Ser verde tornou-se uma questão de sobrevivência. Segundo a consultoria IDC, atualmente são gastos em energia cerca de 50 centavos para cada dólar investido em equipamentos de TI. Acredita-se que esse valor vá crescer 54% nos próximos quatro anos. ?Coma elevação dos custos de manutenção, as empresas começam a escolher fornecedores preocupados com o consumo de energia?, afirma Marcel Saraiva, gerente de servidores da Intel para a América Latina.
Atenta a essas questões, a Intel uniu a preocupação com o meio ambiente ao avanço tecnológico em seus processadores de múltiplos núcleos. O processador Core 2 Duo para desktops oferece até 40% de aumento no desempenho e mais de 40% de eficiência no consumo de energia, comparado a chips de gerações anteriores. Nos servidores, o processador Xeon, que sozinho consumia em torno de 130 watts, foi substituído por um modelo de quatro núcleos que reduziu o consumo para cerca de 50 watts, segundo Saraiva.
ECONOMIA VIRTUALIZADA
Já a AMD, atua numa frente mais ampla. No mês passado, apresentou o sétimo plano anual de metas para a redução da emissão de gases de efeito estufa em fábricas, escritórios e produtos. Desde 2002, a empresa vem diminuindo em mais da metade as emissões de gases e se compromete a cortá-las em mais 33% até 2010.
Servidores e PCs com menos fome de eletricidade compõem o lado verde da Dell. A empresa lançou os notebooks Latitude D430, D531, D630 e D830 e a estação de trabalho móvel Precision M4300, todos compatíveis com o novo padrão Energy Star 4.0 da EPA.
Na HP Brasil, a preservação do meio ambiente começa em casa. ?Nossa meta é reduzir em 20% o consumo de energia em nossas operações até 2010?, afirma Kami Saidi, diretor de operações para o Mercosul. A empresa espera alcançar esse resultado com produtos que utilizem menos de 50% da eletricidade consumida por modelos anteriores. Além disso, a HP recolhe as baterias de notebooks e handhelds e os cartuchos das impressoras.
A consolidação de servidores e as máquinas virtuais dão sua contribuição à saúde do planeta nas corporações. ?A virtualização ajuda a reduzir o número de máquinas, o espaço ocupado e a conta de energia?, diz André Vilela, diretor de soluções corporativas da Unisys para a América Latina. Além de usar internamente a virtualização, a Unisys implanta a tecnologia nos clientes, com servidores desenhados para atender às novas exigências do mundo alarmado pelo aquecimento global. Segundo estudo da Unisys, 200 servidores tradicionais consomem 2 365 200 kWh por ano, emitindo 1 100 toneladas de CO2. Com a nova arquitetura, essas 200 máquinas podem ser substituídas por seis servidores que consomem 126 144 kWh e emitem 81 toneladas de CO2 por ano.
STORAGE LIMPO
Um dos dispositivos que mais desperdiçam energia é o HD, que gira mesmo quando não está em uso. Estima-se que 7% da energia do mundo escoe pelo ralo do armazenamento de dados. Por causa disso, a EMC resolveu partir para produtos que ofereçam mais terabytes por menos quilowatts. O novíssimo storage EMC Centera consome até 67% menos energia queo modelo anterior, fornecendo desempenho 50% superior, segundo Hermann Pais, diretor de inovação tecnológica para a América Latina.
Com mais de 106,6 milhões de usuários de celular no país, os fabricantes de telefones fazem a sua parte pelo meio ambiente. A Motorola estimula os clientes a descartar as baterias em seus postos de serviço. O material é armazenado em Jaguariúna, interior paulista, e dali segue para a reciclagem na França. Otávio Valente, gerente de meio ambiente da Motorola, diz que, de 1999 até hoje, a fabricante já embarcou mais de 150 toneladas de baterias para reciclagem. E no mês passado, iniciou aqui o programa de recolhimento de aparelhos celulares.
A Nokia também mantém um programa de reciclagem de baterias no Brasil. As baterias coletadas são armazenadas em Alphaville, na Grande São Paulo, e depois encaminhadas para a reciclagem fora do país ? Chicago é o destino preferencial ?, para que substâncias como cádmio, aço e níquel sejam reaproveitadas. Já o plástico e os circuitos internos são incinerados para a geração de energia elétrica. Há dois anos, a empresa também recicla os aparelhos ? de 60% a 85% dos componentes são reaproveitáveis.
Enquanto Motorola e Nokia lidam com a poluição de seus pequenos produtos, a IBM topa o desafio de tornar mais eficientes os 750 mil metros quadrados de data centers que possui mundo afora. Nos próximos três anos, a empresa espera duplicar sua capacidade computacional sem aumentar o consumo de energia e a conseqüente emissão de CO2. Como? Com muita tecnologia. A IBM Research desenvolveu, por exemplo, o MMT, um jeito de coletar os dados térmicos de um data center e gerar um mapa 3D do ambiente, para ajudar a identificar os pontos quentes e refrescá-los.
?Com essa e outras tecnologias, um data center típico de dois mil metros quadrados poderá reduzir em até 40% seu consumo de energia?, estima Carlos Eduardo Pane, executivo de projetos de comunicações integradas da IBM. Mais que uma medida ecologicamente correta, essa ação vai ajudar a IBM a reduzir custos, fortalecer sua imagem no mercado e ainda turbinar a receita com a venda de produtos e serviços de melhoria energética aos clientes. Sustentabilidade é isso aí.
Por Françoise Terzian, da INFO, edição de agosto de 2007