Depois que o consumidor brasileiro perdeu o “medo” de comprar na internet, os pequenos varejistas também estão deixando o receio de lado e investindo em soluções práticas para atuar no comércio eletrônico sem o risco de fraudes. Para cerca de 8 milhões de brasileiros, fazer compras na internet é um bom negócio. Os números do comércio eletrônico no país mostram consumidores que deixaram para trás o receio e aproveitam a praticidade das vendas pela rede. As fraudes nas transações, que assombravam os varejistas e geravam prejuízos, hoje estão próximas da extinção, combatidas pela tecnologia de certificação de dados. Utilizando essas ferramentas e tomando precauções semelhantes às de costume no varejo tradicional, a web pode ser uma fonte de lucros prática e segura. Mesmo inserido num ambiente novo, o comércio eletrônico nada mais é do que uma outra maneira de comprar e vender. Para não ter problemas, cabe ao varejista conhecer os métodos usados nas fraudes e adotar algumas medidas para impedi-los.
De acordo com Igor Rocha, coordenador do Movimento Internet Segura (MIS) da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net), a melhor alternativa para quem não possui tecnologia própria e pretende garantir a integridade dos dados nas transações virtuais é buscar o auxílio de empresas especializadas. “O varejista pode procurar empresas especializadas em hospedagem e segurança, que simplificam o trabalho dos pequenos e médios com uma infra-estrutura sofisticada e de custo acessível”, afirma. Segundo Rocha, o fato de estar mais próximo do cliente contribui para que o pequeno lojista possa se prevenir contra golpes, pois em um número reduzido de transações fica mais fácil perceber uma operação “fora do comum”.
Comprar utilizando cartões de crédito extraviados é um dos golpes mais freqüentes no comércio eletrônico. Outro é através do “phishing” - programas usados para invadir computadores alheios e coletar dados, que são posteriormente utilizados em transações. “Atualmente as tentativas de fraudes acontecem em cerca de 3% das transações na internet”, revela o gerente de pós-vendas da Cia Shop, Osni Feiges. A empresa especializada em soluções e hospedagem para comércio eletrônico lança aproximadamente 20 novas lojas virtuais por mês. O varejista recebe o site pronto, e conta com um software que avalia o risco das transações em tempo real. Formando uma rede de informações entre os usuários, e também pesquisando na internet, o programa confere números de documentos, endereço do comprador e valor médio das últimas compras, estabelecendo um perfil. Por exemplo: se uma pessoa que costuma gastar em média R$ 50 está gastando R$ 500, é motivo para desconfiar. “Nosso objetivo é avaliar a veracidade dos dados fornecidos pelo usuário do cartão de crédito”, destaca Feiges.
Evitando fraudes
Para diminuir o risco de fraudes, o site de artigos de esporte e lazer Art Brazil dá descontos para outras modalidades de pagamento, com boleto bancário e transferências. Com esse incentivo, a opção cartão de crédito é escolhida apenas por metade dos clientes. O diretor Ivan Mudri diz que assim incrementa o capital de giro de sua empresa, que registra um tíquete de compra médio de R$ 220, e mantém um crescimento de 50% ao ano. Aliando o conhecimento em informática com a prática adquirida nas vendas, Mudri, que formulou o próprio site, usa a tecnologia para ter controle total na movimentação de mercadorias. “Desenvolvi um painel que me permite acompanhar os pedidos em tempo real, onde quer que esteja”, conta. Com apenas oito funcionários, a Art Brazil está há cinco anos no mercado e atende pedidos de todo o país e também dos Estados Unidos e Europa, mantendo um faturamento médio de R$ 50 mil por mês.
O site Arena DVD faz em média 200 mil vendas por mês. Nas compras com cartão de crédito, são registradas dez tentativas de fraude a cada 30 dias. O índice, que não chega a 1%, se mantém baixo graças ao rigor com que as informações são checadas em todas as transações. “Hoje, por exemplo, desconfiei de um cliente que me comprou R$ 800. Não é uma compra normal, várias informações que ele forneceu não conferiam”, comenta Pedro Carvalho, gerente financeiro da Visocopy, empresa detentora da marca Arena DVD. Quando suspeita de golpe, ele procede de acordo com o contrato com as operadoras de cartões, que recomenda que a compra deve ser autorizada mediante a assinatura do titular. O comprovante é enviado por fax ou e-mail ao cliente, que deve remetê-lo novamente à empresa, assinado.
Mesmo sendo um procedimento que muitas vezes não agrada o con sumidor, Pedro justifica que só assim fica a salvo de prejuízos. “Com cartão de crédito a segurança para quem compra é total, em qualquer momento ele pode cancelar o pedido. O único que tem a perder na transação é o lojista”, diz. Boa parte dos varejistas se queixa de que a indústria de cartões de crédito não faz tudo o que poderia para prevenir os danos causados pelas fraudes. “Em algumas situações, como um cartão roubado na web, as operadoras teriam como rastrear no momento da venda e me alertar. Eles têm tecnologia para isso. Se eu tenho prejuízo recebo apenas uma carta dizendo: o problema é seu”, dispara o diretor da Art Brazil.
A dificuldade em monitorar as operações leva o lojista a tomar precauções que podem gerar desconforto aos clientes, como no exemplo da Arena DVD. “Os clientes reclamam, e dizem que compram pela internet justamente para se livrar de contratempos”, diz o gerente financeiro Pedro Carvalho.
Plástico em ascensão
No último ano, o comércio eletrônico movimentou R$ 4,4 bilhões no Brasil. Desse total, R$ 3,2 bilhões foram pagos com cartão de crédito, que estiveram presentes como meio de pagamento em 68% das vendas on-line em 2006, segundo a empresa de pesquisa e marketing on-line e-bit. Endossadas por esta participação, as bandeiras de cartão criaram um padrão para garantir a segurança das transações financeiras, o PCI-DSS (Payment Card Industry - Data Security Standard). O modelo considera fatores para a proteção da rede formada entre a loja, o consumidor e as operadoras. “O PCI tem 12 exigências de segurança que todos os envolvidos com cartões devem seguir. O processo de compra permanece o mesmo, porém o padrão garante as informações desde a digitação no site até o envio às operadoras”, explica o especialista em controle de risco da VisaNet, Willian Caprino.
Entre outros itens, o PCI recomenda não armazenar dados dos clientes após a transação, além de instalar controles para proteção de informações com senhas e encriptação de dados. Longe da discussão entre varejistas e operadoras sobre o padrão nas vendas on-line, novos consumidores estão descobrindo as ofertas da web. Em 2008, o Brasil deve atingir a marca dos 10 milhões de clientes no varejo virtual. “Ainda há quem não compre na internet por insegurança. Porém, temos um universo de pessoas que fizeram boas compras e agora fazem esse marketing positivo do canal”, constata o diretor-geral da e-bit, Pedro Guasti.
Uma pesquisa do instituto Ibope/Net Ratings publicada em junho revelou que 33 milhões de pessoas têm acesso à web no País. Considerando esses dados, os consumidores de lojas on-line em breve devem representar um grupo de 30% entre os brasileiros que trafegam pela rede. Na medida em que a internet vai se tornando familiar no dia-a-dia dos consumidores, o conhecimento sobre a rede desmistifica o que resta de dúvida sobre o comércio eletrônico. “As pessoas não compram sem ter confiança no vendedor. O que se vê em desenvolvimento é uma “cultura de segurança digital”, ou seja, a incorporação das práticas tradicionais no âmbito digital”, analisa Igor Rocha, do MIS. Descobrindo uma nova maneira de comprar, os internautas desfrutam cada vez mais dos produtos exclusivos e os bons preços da web, movimentando um mercado que tão cedo não vai parar de crescer.
12 regras para garantir a segurança nas transações com cartão de crédito
1 - Instale e mantenha uma configuração de firewall para proteger os dados do portador de cartão;
2 - Não use as senhas padrões de sistema e outros parâmetros de segurança fornecidos pelos prestadores de serviços;
3 - Proteja os dados armazenados do portador de cartão;
4 - Codifique a transmissão dos dados do portador de cartão que transitam nas redes públicas abertas;
5 - Use e atualize regularmente o software antivírus;
6 - Desenvolva e mantenha seguros os sistemas e aplicativos;
7 - Restrinja o acesso aos dados do portador de cartão apenas àqueles que necessitem conhecê-los para a execução dos trabalhos;
8 - Atribua um ID único para cada pessoa que possua acesso ao computador;
9 - Restrinja ao máximo o acesso físico aos dados do portador de cartão;
10 - Acompanhe e monitore todo o acesso aos recursos da rede e dados do portador de cartão;
11 - Teste regularmente os sistemas e processos de segurança;
12 - Mantenha uma política que atenda a segurança da informação.
Fonte: Empreen dedor - Marco Britto
VisaNet Brasil